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Entrevista da semana

- Rodrigo Santos

Imagine um músico com 26 anos de carreira, que já tocou com bandas e artistas como: Blitz; Kid Abelha; Lobão; Léo Jaime; João Penca & Seus miquinhos amestrados; Paulinho Moska, dentre outros...Imagine um músico que fez e faz história com o Barão Vermelho...Imaginou? Então, agora, imagine um baixista que já ganhou três prêmios Sharp...Vendeu mais de 1 milhão de discos ao lado dos artistas citados...E já participou da abertura de cinco shows dos Rollings Stones...Continuou imaginando?
Pois bem, Rodrigo Santos, esse é o cara!

Nascido no dia 05 de abril de 1964, em pleno Golpe Militar, o carioca e rubro-negro Rodrigo Santos, começou a se relacionar com a música bem cedo. Influenciado, desde criança, por trilhas de novelas, musicais de Hollywood, além de boas doses de Jazz, Blues e Bossa Nova (que não saíam da vitrola do seu pai, com quem costumava ir às lojas de discos, comprar e ouvir LP's), ele percebeu rapidamente que música não era apenas algo para "se ouvir", mas, principalmente, para "se fazer"!

E assim, começou essa rica história de sucessos e ótimos serviços prestados à Cultura Nacional! Rodrigo Santos que, além de tudo, é musicalmente "autodidata", e ainda por cima, se mostra um desenhista de primeira qualidade, é figurinha premiada no álbum do Rock Brazuca! Pelas cordas do seu baixo, passaram muitos dos hits que ouvimos todos os dias nas rádios de todo o país! Não por acaso, agora, de férias no Barão e em carreira solo, vem fazendo enorme sucesso dentre os antigos e novos fãs! Seus dois álbuns iniciais "UM POUCO MAIS DE CALMA" e "O DIÁRIO DO HOMEM INVISÍVEL", deixam bem claro para todos nós, os motivos que o levam a ser simplesmente um "patrimônio da boa música brasileira"!

Confiram agora, aqui no Cidade da Bola, uma entrevista exclusiva com esse grande baixista...


Cidade da Bola: Já são mais de 28 anos inteiramente dedicados à música. Como começou essa intensa história?

Rodrigo Santos: Influenciado por Beatles, Bob Dylan , Novos Baianos e Secos & Molhados, aos 11 anos, comecei a tocar violão, a compor minhas proprias musicas e letras e, aos 12, ja estava tocando baixo. Montei minha primeira banda aos 14, e aos 19, já estava tocando profissionalmente com o Front . A partir dai foram trabalhos sucessivos, com João Penca & seus miquinhos Amestrados, Leo Jaime, Lobão, Moska e em 92 fui convidado a ingressar no Barão Vermelho. Paralelamente fundei uma outra banda em 1994 - Os Britos - e entrei em mais uma , Midnight Blues Band, essa com o pessoal do Barão todo. Com Barão e Britos construi uma historia de mais de 16 anos, so intervalando em 2001, nas férias do Barão, onde fui tocar com Kid Abelha e Blitz . Em 2004 voltamos com o Barão e tiramos férias novamente em 2007, dessa vez sem previsão de volta . Foi ai que comecei minha carreira solo e lancei 2 cds : " Um Pouco mais de calma " (2007) e " O Diario do homem invisivel" (2009) , tendo feito mais de 400 shows solo de la pra ca. Sempre curti todas as vertentes do rock, folk, blues , pop, mpb e jazz. Na verdade, comecei a tocar como todo mundo, por diversão e pra tirar as musicas que eu mais gostava. Só que a partir dai (depois de aulas de violão popular e apenas 4 aulas de baixo) fui desenvolvendo uma paixão enorme pela musica - mais especificamente pelo rock e pela magia da historia dos Beatles - pela determinação de aprender sozinho nota por nota dos baixos que eu curtia e a sorte de ter sido chamado por grandes artistas, um apos o outro, sempre em grandes turnês e discos . Quando me dei conta, olhei pro lado e ja estava no Barão..(risos). A carreira solo está sendo uma novidade - e muito boa - , pretendo lançar muitos discos ainda e compor muitas canções. O auge pra mim desse trajetória toda foram as viagens à Inglaterra com os Britos, os três shows no Cavern Club , em 2005 e 2006 e ter sido baixista do Quarrymen (a primeira banda de John Lennon) por uma noite. Igualmente marcante foi a medalha que recebi por serviços prestados ao reino unido através da musica, entregue a mim pelo principe da Inglaterra, Andrew, em 2006.

CB: Barão Vermelho, Os Britos, Kid Abelha, Lobão, Blitz, dentre muitos outros. Ter experimentado e participado de toda essa "salada musical" serve também de inspiração para o seu trabalho solo?

RS: Serve , de alguma maneira serve . Apesar de eu ter minha propria personalidade musical e curtido muita coisa diferente dentro do universo da musica - nacional ou internacional - não posso negar que sou fruto de minha propria historia e trajetoria, e dentro dela existe essa " salada " de artistas com quem toquei. Jogo ela num liquidificador, misturo com as minhas influencias musicais e de vida , e acabo criando assim minha propria linguagem . O meu trabalho tem uma cara diferente de todos esses artistas, mas ao mesmo tempo fui abençoado de poder ter tocado sempre com quem eu achava que tinha muito a ver com o que pensava sobre a arte , seja ela escrita ou musicada. Quando fui colocar isso em pratica no meu primeiro cd, vi que tinha alcançado uma identidade propria, o que pra mim sempre foi o mais importante.

CB: Tendo feito parte de uma das maiores e mais cultuadas "marcas musicais" do país, a chamada "Geração 80", como você visualiza o cenário musical brasileiro atualmente? Com otimismo ou pessimismo?

RS: Sempre com otimismo. Não foi a toa que coloquei 5 bandas da nova geração no meu cd : Autoramas, Canastra, Filhos da Judith, Vanguart (Helio Flanders) e Marilia Bessy, uma nova cantora que estou produzindo. A cena esta fertil, eh so procurar que acha. Todos esses artistas citados são talentosissimos e estão provando isso com seus discos e shows. Temos ainda o Skank, Ney Matogrosso, Nando Reis, Lobão, Los Hermanos....todos ja consagrados, mas mantendo em alta a qualidade da musica brasileira.

CB: Depois de lançar "Um pouco mais de calma", em 2007, e estar a pleno vapor com o segundo álbum solo, "O diário do homem invisível", como tem sido a sua relação com o público nesse novo momento da sua carreira?

RS: Muito legal ! Os shows tem sido um bom termometro pra isso e tenho feito muitos. Uso muito as redes virtuais como Orkut, Myspace, Facebook, Youtube, etc. Sempre fui uma pessoa que teve proximidade com o publico ,seja no Barão ou solo. O meu publico entende o meu trabalho, minha ralação e valoriza toda essa historia. Procuro retribuir com bons discos, feitos com qualidade, e faço discos pra isso, expor minha emoções com verdade, com o coração e a alma , me entrego nas letras e meu publico entende isso perfeitamente e troca , participa e temos uma sincronia bem bacana.

CB: "O diário do homem invisível" conta com a participação de vários artistas, dentre eles, Ney Matogrosso; Cidade Negra; João Penca e Seus Miquinhos Amestrados; Marília Bessy, além de outros. Essa interação com a diversidade do universo musical e cultural é algo essencial para você na hora de compor um álbum?

RS: Sim, essencial. Nesse album a tonica foi essa, mas sempre em prol da canção.

CB: A canção homônima ao disco, "O diário do homem invisível", embora seja fruto de uma parceria entre você e o Leoni, tem uma certa pitada auto-biográfica?

RS: Tem parte autobiografica em tudo que coloco no meu cd, ou nas minhas letras.

CB: Você é um artista que utiliza muito as ferramentas que a Internet oferece, tais como, os sites de relacionamento, os links de postagens de vídeo, o seu site pessoal, blogs etc. Você acredita que o futuro da música estará cada vez mais condicionado às novas tecnologias? Isso é algo que te assusta ou que te anima?

RS: Não assusta não, anima. Mas tem de saber usar. A classe artistica, as gravadoras, as empresas que investem ..todo mundo tem de pensar da mesma maneira e não pensar apenas no proprio umbigo. A musica andou prum outro lado, a tecnologia esta ai pra todo mundo. Uma das saidas que esta sendo conversada no mundo eh uma taxa pequena (por usuario de internet) a ser paga mensalmente imbutida no boleto , que permita legalmente a pessoa a baixar qualquer coisa sem problemas ou culpas e essa renda distribuida pelos autores das obras. Claro que isso tambem gera um novo segmento da ordem da distribuiçao e consequentemente uma vigilancia e controle sobre essa distribuiçao de renda . Mas isso eh uma segunda etapa. Tecnologia não pode andar pra tras e isso esta mais do que provado. Acho que a democracia internetica tanto soma quanto atrapalha , no caso de mau uso. Cartoes de vendas de musicas, isenção de impostos na venda dos cds - como nos livros - , tudo isso somado ao que falei antes aqui, uma solução conjunta em prol do artista e da musica. O publico tem o direito de ter acesso a tudo, basta sabermos como não prejudicar a classe. Isso vale pra toda a forma de troca de midia na Internet. Anima porque em contrapartida o publico tem mais proximidade com a obra do artista. Eh bate e pronto...ja vai direto na informação que quer.

CB: Como foi a sua chegada ao Barão Vermelho? Fazer parte do Barão foi algo que mudou a sua vida?

RS: Mudou com certeza. Apesar de eu vir do Lobão , na fase mais forte da carreira dele em termos de popularidade nas radios e shows, etc e funcionarmos muito como banda tambem, a oportunidade de entrar na maior banda de rock do Brasil com certeza me deu muito mais visibilidade , ate pra poder seguir uma carreira solo. Com o Barão abri 5 shows dos Rolling Stones, 3 premios Sharp , 3 festivais internacionais , varios discos de ouro e platina , fiz milhares de shows, 4 viagens internacionais, abri muitas portas e pude colocar minha musicas em discos muito esperados. Com o Lobão teve isso tambem..bastante. Mas estar na capa do cd e em todas as materias de imprensa, tv, radios e quaisquer formas de divulgação, com certeza mudou muito a minha trajetoria como artista, mesmo sendo ainda em alguns casos, o " homem invisivel" . Mas praticamente todos os musicos que não são cantores em suas bandas principais, podem ser considerados invisiveis quando partem pro solo. Tem que ralar tudo de novo. Nesse ponto a vida voltou ao normal (risos), mas me sinto muito feliz e realizado em fazer parte da maior banda de rock do Brasil, sou um dos 6 privilegiados.

CB: O que nunca pode deixar de tocar na "vitrolinha" do Rodrigo Santos?

RS: Beatles, Raul Seixas, Novos Baianos, U2, Stones, Cat Stevens, Norah Jones, Joss Stone, Jack Johnson, The Fratellis, Rita Lee & Tutti Frutti, Lobão...

CB: Qual foi a situação mais inusitada que você vivenviou ao longo desses quase 30 anos de carreira?

RS: Muitas, passo essa por e-mail !!! (risos)

CB: Se você pudesse definir com palavras a sensação de estar no palco, quais seriam?

RS: Plenitude ! O que mais gosto de fazer. O palco eh onde o feedback tem efeito imediato. Tabelinha Zico-Adilio, Bebeto-Romario, Pele-Coutinho..a bola vai e volta... redonda de preferencia.

CB: Sabemos que você também é um apaixonado por futebol! E, ainda, é um ilustre rubro-negro! Como começou a sua paixão pelo esporte e, principalmente, pelo Flamengo? Existe alguma partida em especial que você tenha guardado em sua memória?

RS: Com certeza rubro-negro ! A paixão veio com meu pai e meu irmão , ambos rubro-negros. Comecei a ir ao Maracanã frequentemente, apos a Copa de 1978 depois que o Zico se recuperou da distensão muscular e coltou pronto para o campeonato carioca . O primeiro jogo ja comecei a ir a todos os jogos , guardar os jornais do dia seguinte e ao mesmo tempo desenhar os gols do Mengão. A estreia foi 6x 0 no São Cristovão , depois 5x0 no Campo Grande e a partir dai, o titulo dos Cariocas de 78 , 79 ( 2 campeonatos), os brasileiros de 80 (a primeira vez) , 82,83, 87 (com a volta do Zico da Italia) e 92 (com a volta do Junior) . Alem da Libertadores e do Mundial de 81. Tenho varias partidas :

Flamengo 5x2 Palmeiras ( o troco da goleada de 4x1 no campeonato brasileiro de 79)

Flamengo 4x3 Coritiba ( campeonato brasileiro de 80 - semifinal) onde o Fla perdeu Zico e Julio Cesar no primeiro tempo, machucados, e ainda estava perdendo de 2xo no Maracanã;;;de repente a sensacional virada com gos antologicos!!

Flamengo 6x0 Botafogo 1981 (sem mais comentarios..o troco com juros e com o sexto gol de Andrade, o dono da camisa 6)

Flamengo 1x0 Vasco 1978 (gol de Rondinelli - o começo dos triunfos e a resposta ao Vasco com a perda de dois cariocas, de 74 e 77)

Flamengo 3x1 Vasco - tricampeonato carioca em cima do Vasco, nosso maior fregues (o gol do Petkovic de falta me deu uma alegria que não tinha desde a eopca de Zico..teve a magia daqueles tempos)

Flamengo 3x2 Atletico MG ( o de 1980 , dois timaços, so um saia vitorioso, e o jogo foi espetacular)

Flamengo 3xo Liverpool (ensinamos o futebol aos ingleses)

Flamengo 2x0 Cobreloa (libertadores de 81 - fantastico)
tem muitos...muitos...Brasil 3x 1Argentina na Copa de 82...etc..etc....

Flamengo 5x1 Atletico MG ( o jogo em que Pele jogou pelo Flamengo, beneficente as vitimas das enchentes...Nunca uma atuação de um jogador foi tão espetacular como a de Julio Cesar Uri Gueller nesse jogo...acabou com Alves. So Maradona e Garrincha fizeram tanto num jogo so)

fico com esses por enquanto.

CB: O Rodrigo Santos "peladeiro"...Está mais para: um tremendo "caneleiro boa-praça"? "Dono da bola ranzinza"? Ou, "Craque da camisa 10"?

RS: Fiz teste no profissional do America-RJ e passei. E sou canhoto, fã de Julio Cesar Uri Gueller. Preciso dizer mais..(risos)

CB: Quais são os seus projetos para o futuro?

RS: Muitos shows, um terceiro cd solo, ao vivo - DVD.

CB: Deixe um recado para os internautas do "Cidade da Bola" e para os ouvintes do "Pelada no Rádio!":

RS: Galera, nunca desistam de seus sonhos...achava que era impossivel viver sem alcool e drogas, por exemplo..e hoje em dia sou coordenador num centro de tratamento para dependentes quimicos e alcoolatras , no mesmo lugar em que consegui parar , desde 02 de agosto de 2005 . Portanto, quando a gente se determina a batalhar pela vida e pelos sonhos, ninguem pode ser capaz de nos tirar isso.

Por, Alan Carvalho.

Agenda:

01/09 - Florianópolis, SC
10/09 - Laguna, SC
12/09 - Blumenau, SC
16/09 - Rio de Janeiro, RJ (Local: Colégio Sto Inácio - Palestra e pocket show, 08h)
17/09 - Angra dos Reis, RJ (Local: Porto Real)
23/09 - Búzios, RJ

Site oficial:

www.rodrigosantos.com.br

Canais:

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Contato para shows:

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